Técnica inovadora de preservação da fertilidade para mulheres com câncer chega ao Brasil. O Procedimento possibilita praticamente as mesmas chances de gravidez anteriores à doença
Antes, mulheres em tratamento oncológico tinham suas chances de gravidez reduzidas em mais de 90%, já que tratamentos de quimioterapia e/ou radioterapia, em grande parte das vezes, comprometem totalmente a fertilidade. As novas técnicas de Reprodução Assistida permitem a mudança desse cenário.A Clínica Pró-Criar, especializada em medicina reprodutiva, está introduzindo, através de suas parcerias internacionais, um Programa de Preservação da Fertilidade para pacientes que serão submetidas a tratamento oncológico, assim como para mulheres que desejam adiar a gestação, seja por motivos sociais, laborais ou problemas de saúde.
Anteriormente, os protocolos de indução ovariana, etapa inicial dos tratamentos de Reprodução Assistida, quando os ovários são estimulados a produzir vários óvulos, eram considerados fatores agravantes para determinados tipos de câncer. As novas técnicas permitem que se obtenham óvulos de forma segura, não interferindo no tratamento oncológico. “O procedimento é feito por meio da estimulação ovariana antes de se iniciar o tratamento do câncer. É altamente seguro e sem risco de comprometimento do prognóstico da paciente”, explica Marco Antônio Melo, especialista em Medicina Reprodutiva. Segundo ele, a paciente é tratada com medicação específica – com baixa dosagem hormonal - e rigorosamente monitorada para que não exista risco de agravamento do quadro clínico do câncer.
De acordo com Melo, o câncer é uma doença muito frequente entre crianças e jovens, podendo estimar que aproximadamente 10% dos casos da doença acontecem na infância e na idade fértil, considerada ente os 15 e 45 anos. “A maioria dos tumores que afeta esta faixa etária apresenta alta taxa de cura, principalmente os germinais, linfomas e leucemias”, acrescenta. Ou seja, essa técnica é mais um grande avanço da medicina de vanguarda que garante uma sobrevida normal para pacientes que enfrentaram algum tipo de câncer.
Este Programa também ajudará mulheres que já passaram por tratamentos oncológicos e ainda apresentam um funcionamento ovariano normal. Com a utilização de protocolos específicos, essas pacientes podem se submeter ao processo de Fecundação in vitro de forma segura, sem o medo de que esses hormônios possam aumentar os riscos de recidiva da doença. Convém salientar que outra indicação para essas novas técnicas é a possibilidade de preservação da fertilidade em situações em que são previstas cirurgias ovarianas agressivas (por exemplo, tratamento cirúrgico de endometriose) por motivos não relacionados com doenças oncológicas ou por razões outras em que a maternidade será adiada.
Como a técnica funciona
Para que esses protocolos possam ter bons resultados é necessário contar com uma boa técnica de congelamento de óvulos. Anteriormente, a técnica de congelamento dos gametas femininos era lenta, com redução da temperatura gradual, tendo uma duração de mais de duas horas. A nova técnica chama-se vitrificação, um processo muito mais rápido e com menores riscos de lesão celular. Essa técnica já vem sendo aplicada na Clínica Pró-Criar desde 2006 de forma rotineira para a crioprservação de embriões com resultados excepcionais. Agora, a novidade, é a utilização dessa mesma técnica para o armazenamento dos óvulos. As taxas de sucesso são muito boas com uma sobrevivência dos óvulos congelados de cerca de até 90% e índices de gravidez em torno de 50% em pacientes com idade até 35 anos, estes resultados são praticamente os mesmos obtidos com óvulos não congelados.
Como o protocolo é extremamente novo e acaba de chegar ao Brasil, ainda não há registros, no País, de mulheres que congelaram seus óvulos com essa técnica.