Depois do nascimento, o peso e a altura dos bebês são as informações mais divulgadas para familiares e amigos. Muitos leigos ainda associam saúde a imagem de gordinho. Mas, segundo o pediatra Mauro Borghi, do Hospital e Maternidade São Luiz, o peso médio de um nascimento a termo, ou seja, com 38 a 41semanas incompletas é de 3,300kg (a estatura varia de 49 a 50 cm) podendo oscilar de 150 a 200 gramas no caso dos meninos que, na maioria das vezes, são mais pesados. Ainda de acordo com o pediatra são considerados de baixo peso os que nascem com menos de 2.500kg.
“Independente do peso, recém-nascidos perdem cerca de 10% dele nos primeiros dias de vida e recuperam em torno do 10º dia com a amamentação. Esse fenômeno fisiológico nada mais é do que a “recuperação do parto”, ou seja, elimina excesso de água e gordura marrom, responsável por manter o calor e proteger o RN”, explica Borghi que ainda complementa: “O exame físico completo, realizado seis horas após o nascimento, é um dos primeiros indicadores sobre a saúde da criança”.
Mas, ao deixar a maternidade é que a inquietação das mamães aumenta em relação a alimentação do pequeno, principalmente para as de primeira viagem. “Lamentavelmente ainda existe o mito do leite fraco. Mas o aleitamento materno é o melhor caminho para nutrir e proteger o lactente, pois é rico em todos os ingredientes necessários para o bom desenvolvimento da criança. E, portanto, deve ser exclusivo até os seis meses de idade”, enfatiza o pediatra especialista em crescimento infantil.
Para Borghi, alimentação adequada e acompanhamento médico mensal é a fórmula ideal para a prevenção de diversos problemas. “Qualquer tipo de complemento sem a orientação do pediatra é contra-indicado. Atualmente, existe a “síndrome do bebê pequeno” que nada mais é do que uma crença errada por muitas mamães de que ter filho gordinho é sinônimo de saúde e buscam meios para aumentar o peso do recém-nascido, principalmente no caso de prematuros. É importante lembrar que dessa forma aumenta o risco da criança desenvolver doenças metabólicas, como diabetes e hipertensão”, alerta o médico.
Nos primeiros 12 meses de vida o bebê deve ir ao pediatra mensalmente. A cada visita de rotina o médico anota num gráfico -denominado curva do crescimento e estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS)– o peso, o comprimento e o perímetro cefálico de um lactente para se assegurar que o crescimento está ocorrendo de modo regular. “Os percentis são uma maneira de comparação com bebês da mesma idade. Mais importante do que isso, os percentis individuais são analisados com base na consulta anterior”, ressalta Mauro Borghi.
Para as mamães, a lição de casa é seguir atentamente as indicações do pediatra e não fazer comparações, lembrando que aqui estamos falando de médias. O especialista reforça que cada criança tem sua trajetória de desenvolvimento e algumas variações dependem da constituição familiar, do meio-ambiente e de vários outros fatores. “Da mesma forma do peso, a estatura também é individual. Existem bebês que crescem com regularidade, já outros fazem isso aos saltos e nenhum dos dois necessariamente apresenta algum problema. O importante é que ao final do primeiro ano de vida ambos tenham aumentado aproximadamente 25 cm da estatura registrada no nascimento”, explica o médico.
Fonte: Uol Ciência e Saúde